“Ó poderoso Alaasthor, a vingança te pertence, assim como a espada dos Senhores do Caos. Conduza-me ao triunfo nesta guerra e as almas da minha casa serão tuas até que o sétimo filho do meu sétimo filho atenda aos teus desígnios.”

Sir Lothar Karraus, grande herói das Guerras de Unificação da Prusilvânia.

 

Noites mal dormidas

Uma tempestade implacável agredia as torres da magnífica Catedral da Sagrada Família como um mensageiro de notícias alarmantes. O vento soprava forte e seu uivo assustador alimentava a superstição daqueles que acreditam que noites assim são agourentas.

Seja como For, Sir Byron Karraus não aguentava mais os pesadelos que vinha tendo e estava decidido a matar o mal pela raiz. Seguindo os conselhos do padre Jafar, sacerdote da sua casa, resolveu investigar as origens deste tormento nos livros antigos da Igreja.

Byron só não contava que sua empreitada o levaria aos porões obscuros da grande catedral do reino e muito menos que ali, no coração da Prusilvânia, encontraria coisas tão perturbadoras sobre sua família e a origem da jovem nação.

Seguindo um mapa rabiscado pelo padre, Sir Byron invadiu a biblioteca subterrânea da Catedral atrás de manuscritos antigos. Os textos revelaram que sua família não teria a supremacia entre as ordens cavalariças sem a ajuda de um Senhor do Caos conhecido apenas como Alaasthor, o vingador que porta a espada-demônio.

Pelos registros, as Guerras de Unificação só chegaram ao fim graças ao poder das trevas e a omissão da Santa Igreja Trina, que alegava imparcialidade nos conflitos sangrentos, mas no final acabou implantando sua doutrina e fé nas casas nobres que prepararam os alicerces do novo reino unificado.

Estarrecido com estas verdades e impactado com o estrondo de um trovão retumbando no sino da catedral, o jovem Karraus perdeu as forças e como se um sono profundo o reclamasse para si, ele tombou no chão da catedral.

Imagem relacionada

Catedral da Sagrada Família, capital da Prusilvânia (arte de vefego.com)

Interlúdio marítimo

As águas do mar estavam geladas como tipicamente ficavam no inverno da Prusilvânia, mas Salazar já desconfiava que sua jornada não seria nada fácil. Afinal quem saqueia o tesouro do pirata Alma Negra e foge simplesmente remando num bote de madeira?

O Porto Real da Prusilvânia não seria uma opção, pois com certeza uma recompensa por sua cabeça já estaria circulando pelas vielas imundas daquele pardieiro infestado de criminosos, incluindo os fardados.

Para um negro forte como Salazar, o anonimato seria impossível em uma terra de galegos franzinos. Por conta disso remou para o norte, buscando encontrar alguma cidadezinha de interior ou região de fazendeiros que pudesse lhe oferecer abrigo por uma quantia justa de ouro…o ouro roubado do pirata Alma Negra.

Salazar não achou que usaria novamente os talentos de rastreador que desenvolveu antes da escravidão, mas graças a eles conseguiu se desfazer do bote, apagar seus rastros e encontrar um caminho seguro para uma pequena vila abraçada por um vasto pântano, conhecido apenas como o Pântano Maldito.

Descansando em seu quarto na taverna, Salazar se lembrava dos ensinamentos que recebeu em sua terra natal, mas mesmo assim não conseguia sentir-se culpado de traição. A verdade é que se ele não fizesse o que fez, o capitão Alma Negra sacrificaria toda a sua tripulação e todo o seu tesouro para barganhar com a Dama das Águas Sombrias, o verdadeiro demônio que rege as caóticas tempestades que visitam os 12 mares.

Santo é o veredito da inquisição

Dois dias depois de invadir a catedral, o jovem cavaleiro se viu preso em cadeias de bronze, acorrentado como um criminoso no tribunal da Santa Inquisição. Poucos sacerdotes e guardas estavam na audiência e nenhum representante de sua casa nobre se fazia presente.

Nada fazia sentido e a cefaleia parecia decidida a explodir sua cabeça, mas o que o jovem cavaleiro percebeu é que poderia se tornar vítima de alguma conspiração engendrada contra sua família, a nobre casa de cavaleiros Karraus.

Acusações de bruxaria foram feitas e testemunhas afirmaram que o jovem estava com livros de bruxaria nos porões da Santa catedral. Não havia o que pudesse ser dito para defender o nobre, ainda mais que em sua testa havia um ferimento, em forma de pentagrama, típico da bruxaria praticada pelos blasfemadores que adoram os Deuses Mortos.

Não julgueis pela aparência

Quando a sentença estava para ser sacramentada, uma voz se ergueu com autoridade em defesa do condenado. Era uma voz monótona e jovem, mas que acompanhada pelo som da marcha dos soldados da casa Karraus, anunciava uma reviravolta neste julgamento mal intencionado.

Franzino e de aparência débil, o jovem padre Jafar, pároco da casa Karraus, trazia uma carta com o selo de seu lorde, o pai do acusado. A carta continha um pedido formal por clemência em nome de todos os anos de devoção da casa Karraus, mas nem isso parecia suficiente para mudar a decisão do Inquiridor Alan Mancaster, sacerdote mais influente do tribunal e assumidamente incrédulo quanto a fé dos Karraus.

Somente quando o padre Jafar fez seu discurso de defesa que a unanimidade no veredito foi abalada. Seus argumentos eram bons e sua retórica perfeita, afinal, não foi por menos que o jovem lograra uma ascensão tão rápida na hierarquia da tradicionalista e rígida Santa Igreja Trina.

Com sua lingua afiada e raciocínio perspicaz, o jovem padre convenceu a maioria dos inquiridores de que seria mais vantajoso para o tribunal poupar a vida do jovem cavaleiro. Havia uma forma de punir o nobre por sua blasfêmia, sem manchar a honra de sua importante família, não levantando duvidas quanto a imparcialidade da inquisição, ao mesmo tempo em que promove a expansão da fé e das riquezas do reino.

 

Mapa da região conhecida pelos jogadores.

O exílio, a expiação e o ouro.

O jovem deveria ser exilado nas terras malditas do norte do reino, onde deveria provar sua redenção promovendo a doutrina da igreja, colonizando as terras desoladas pelos pântanos agourentos, estabelecendo um posto avançado de vigilância e uma rota comercial nova para o reino. O próprio Jafar monitoraria este empreendimento e garantiria que a igreja teria seus propósitos atingidos conforme o planejado.

Desta forma a casa Karraus estaria em dívida de gratidão eterna com a alta cúpula da igreja, a coroa receberia mais impostos da região e os moradores do norte reconheceriam a preocupação do seu rei com a prosperidade e segurança da região, até então abandonada pelos deuses e pelos homens.

Foi assim que Sir Karraus teve seu direito à vida mantido. Recebera uma pena pesada, mas mediante as coisas que lera na Catedral, nada seria um fardo mais pesado do que ser o sétimo filho do sétimo filho de um peão dos Senhores do Caos. Pairava em seu coração dúvidas e temores ainda maiores que o alívio pela sua soltura.

 

 

Capturar

Sir Byron Karraus, padre Jafar e Salazar, o pirata fugitivo.

O início de uma Nova Era!

Em uma discreta e diminuta comitiva, o cavaleiro rumou para o norte acompanhado de apenas sete servos, quatro soldados e três membros da igreja. O padre Jafar, seria o seu conselheiro pessoal e futuro tutor no estudo das artes blasfemas da magia negra, praticada pela Ordem das Sete Estrelas, uma seita secreta de cultistas astrólogos que adoram os Grandes Anciões Cósmicos que habitam entre as estrelas, até o dia em que haverão de obliterar toda a criação com sua sabedoria infindável.

“Quando os grandes antigos se reunirem novamente, não haverá Senhor do Caos, Espírito elemental, Deus morto, Novo Deus ou igreja que seja capaz de impedir o glorioso ciclo cósmico da entropia. Nós veremos a Nova era das torres de Carcosa!”

Padre Jafar, Mestre na Ordem das Sete Estrelas, versado na magia onírica de Carcosa.

 

É isso aí pessoal, espero que tenham curtido o post. Se quiser spoiler ou apenas entender um pouco mais deste cenário, confere este artigo onde mostro como tudo foi criado pelos próprios jogadores.

Em breve eu volto pra contar mais sobre essa campanha doida, incluindo a participação dos outros 4 personagens jogadores que explorarão os hexágonos do norte da Prusilvânia, com Sir Byron, Padre Jafar e Salazar.

Até a próxima.

 

PEP