Relato da matadora de tarrasque sobre a aventura de ser mãe e jogadora de RPG.

Hoje resolvi falar de algo diferente: maternidade e RPG. Uma das maiores dificuldades da “vida adulta” é conciliar os hobbies e as responsabilidades e o RPG faz parte dessa organização. Logo que minha filha nasceu tive problemas em casa e precisei focar toda atenção a ela, não tendo muito espaço para mim. Em seguida voltei trabalho, passando por novas dificuldades e adaptações. Assim, como devem imaginar, nada de RPG.

Palavra chave: Adaptação

Hoje consigo ter um horário organizado para jogar, minha filha tem 2 anos e 10 meses, mas demorei para conseguir essa organização. No início é assustador, frustrante, parece que nunca mais será possível ter tempo para si, mas as coisas vão se ajeitando. A primeira coisa que precisei ter clara é: não existe conciliação, existe adaptação, ou seja, fazer o melhor com as oportunidades que se tem.

Filhos mudam a vida da gente, sou convicta que para melhor, mas não vou ser tola a idealizar que tudo é plenitude e maravilha. É muito difícil e desgastante, apesar de a recompensa ser incomparável. Nos primeiros meses, no meu caso ao menos, esqueci de mim, impossível, tudo se destinava a ela. Tenho o agravante de ter me divorciado quando ela era bebê, então não tinha com quem dividir muitas tarefas, mesmo o pai dela sendo muito presente (nunca irei tirar isso dele, é um pai maravilhoso). A questão é: onde estava o meu espaço?

Aos poucos vamos percebendo e organizando as possibilidades até que chega um momento em que as coisas se tronam viáveis. Primeira coisa: peçam ajuda! Ao pai ou à mãe de seus filhos, aos seus pais, a quem for! É impossível dar conta de tudo por si só.

Enfim, o RPG… A Alice já tinha um ano quando comecei a tentar voltar a jogar. De início, convidei amigos para formar uma mesa presencial de quinze em quinze dias quando ela ficava com o pai dela. Funcionou por um tempo, mas compromissos dos meus amigos e outros meus impediram de continuar. Lá fui eu novamente ficar sem rolar os dados.

Mesas online: Providência divina!

Depois de um tempo fui apresentada às mesas online, pareceu que um mundo se abriu pra mim! Ás vezes jogava depois que ela dormia, outras quando ela estava com o pai, ou até mesmo com ela na volta. Fiz muitas pausas nos jogos para trocar fraldas e preparar mamadeiras. Ficava jogando até tarde e ia trabalhar no outro dia.

Mesmo com todas as dificuldades continuei jogando até que chegou um ponto que a coisa estava ficando beeem ruim, eu mal dormia porque atendia a Alice, trabalhava e jogava, estava exaurida, mas a vontade de jogar era tanta, já que sentia falta daquela diversão para mim, que não me dava conta. Então, veio a questão da adaptação.

Hoje tenho horários fixos para jogar, sempre quando a pequena está com o pai dela, e não abro muitos espaços além disso. Apesar de preferir presencial (obviamente), entendi que as mesas online são excelentes opções para casos como os meus e podem ser muito divertidos.

Também tive a sorte de conhecer um grupo online maravilhoso e que um deles (meu querido “irmão” Marcelo Gonçalves) passa por exatamente o mesmo problema que eu: tem um filho apenas um mês mais velho que a minha. No caso ele é casado e a esposa (beijo pra Gabi) sempre fica com o pequeno quando ele joga, assim como ele fica quando ela precisa. Parceria, divisão, isso faz total diferença.

Preparando a nova geração

Alice e seu machado!

Filhos não impedem ninguém de jogar, mas exigem adaptação. Anseio pelo momento que possa jogar com ela, assim como a Mayim Bialik relata num vídeo de seu canal de Youtube. Enquanto ela é pequena, me satisfaço com ela gritando “bola de fogo” na piscina de bolinhas, amar dragões, dizer que é uma fada, andar carregando uma espada e uma varinha mágica, ter escolhido um machado como lembrancinha da escola entre outras coisinhas. O primeiro brinquedo que comprei para ela, quando ainda estava grávida, foi um dragão de pelúcia. Risos. Conto histórias e brinco de interpretar personagens com ela. Tento fazer o RPG ser algo bom como é pra mim, dentro do possível na sua idade.

 

Adaptação é isso. Não é mais a mesma coisa, mas ainda é muito bom e aprendi a também gostar dos dias que fico sem ela por poder fazer algo pra mim, ainda que a companhia da pequena seja insubstituível.

Vai chegar a hora de rolar os dados com ela, enquanto isso, me adapto à realidade.

E acreditem, tem como e é muito bom!

Mônica