Felippe Bardo fala sobre seu processo de criação de aventuras.

Este post foi totalmente idealizado por Felippe Bardo

Autor de Odú RPG, jogo afro-brasileiro que usa búzios ao invés de dados e graduando de filosofia pela UERJ.

Obrigado por colaborar com a Guilda dos Mestres

Quando eu Mestro uma aventura de RPG não me preocupo com a narrativa por si só. RPG é um jogo e a história é a consequência da interação dos jogadores com o mestre e com os dados, o que não traz a linearidade de um roteiro, ou seja, não é uma estrutura tradicional de uma narrativa de estória. Tendo isto em mente, penso que um Mestre deve focar no que importa em jogos de RPG, que é a diversão! Além de fazer com que todos sintam-se bem e à vontade em uma mesa de Jogo, é claro.

OSR é aprendizado também

O método que uso em minhas mesas é respeitar, primeiro a minha e a inteligência dos jogadores. Os jogos OSR possuem a filosofia de desafiar os jogadores, em detrimento dos personagens e o papel que eles têm a desempenhar na mesa é o de serem melhor como pessoas e não como seres de uma ficção construída.

O conteúdo que trazem consigo de literatura, cultura, regras e até de vida, pode ser muito importante para que este tipo de aventura seja um sucesso.

Desta forma o jogo se torna um aprendizado para todos na mesa. Um exemplo é se um dos jogadores realmente souber acender uma fogueira e descrever como faz isto e todos os presentes acabam aprendendo como fazer também. Sendo assim, o aprendizado não é só do personagem, mas dos jogadores. Esta é a mágica desta forma de se jogar.

Estrutura de aventura

No jogo The One Ring RPG existe uma série de palavras que dão uma estrutura muito boa de se lidar com as aventuras:

  • Quando (When) o momento em que a aventura se dá, uma viagem, uma estação do ano ou evento específico um período de tempo;
  • Onde (Where) a localidade da aventura, o espaço em que ela se encontra;
  • O que (What) a definição de meta da aventura e o objetivo final dela;
  • Porque (Why) quais motivações levariam o grupo a seguir esta missão e para que ela serve;
  • Quem (Who) personagens de interesse , antagonistas, coadjuvantes e quem são as figuras chaves desta aventura.

 

Resultado de imagem para osr rpg

Nem sempre as coisas saem como planejado… aliás, quase nunca!

 

Este tipo de estrutura ajuda a organizar as ideias, mesmo que – pela própria natureza do jogo RPG – não haja garantia de que a aventura será finalizada da forma esperada. Um mestre novato apresenta dificuldades justamente neste ponto: organizar a estrutura e as motivações de uma aventura indo diretamente ao ponto final, ou seja a consequência do jogo após as ações realizadas.

Um mestre experiente utiliza as ações das personagens para improvisar novos ganchos de aventura que podem construir uma campanha ou propor outras aventura independentes por conta desta estrutura.

Lição para a vida

Esta forma de estrutura ajuda a compreender que há um ponto de partida nas aventuras de RPG, mas que o ponto de chegada pode ser completamente diferente do que se imaginou, afinal em qual estória os protagonistas ao seu fim podem simplesmente fracassar sem sequer aprender nada com isso?

Há muito mais coisas entre o dado e a narrativa do que pensa nossa vã filosofia…

 

Felippe Bardo

 

Assim terminamos esta prosa sobre aventuras OSR

Esperamos que tenha curtido e se liga que já já o Bardo volta com mais um hack para TBH!