Algumas dicas sobre como iniciar pequenas aventureiras no RPG!

Já várias vezes me perguntaram sobre como iniciar meninas – crianças – no RPG. Nosso amor pelo jogo faz com que queiramos cativar jovens aventureiros e aventureiras para jornadas incríveis, salvando vilas, derrotando monstros, conquistando tesouros, transformando-se em super-heroínas, explorando lugares desconhecidos, descobrindo maravilhas mágicas e muito mais! E com isso disseminar o RPG, a imaginação, a criatividade, o fantástico e o maravilhoso! De fato, tive algumas experiências com crianças, tanto meninos quanto meninas, e foram bem felizes, farei alguns comentários acerca do assunto no que se referem às meninas tentando dar dicas para que essa experiência possa ser inesquecível!

1. Entre no mundo delas

E não force o contrário! Lidar com meninas num mundo de guerreiros, cavaleiros, monstros, escudos e espadas pode ser desafiador num primeiro momento, mas tenha calma e não force a barra. Perceba do que elas gostam e use isso ao seu favor. Se a referência inicial são contos de fadas e princesas Disney, renda-se! Use! Apenas transforme a seu favor. Princesas e fadas nem sempre precisam ser salvas, Merida, Elza, Moana estão aí para dar o exemplo. Que tal Meninas Super Poderosas ou Lady Bug? Já ouviram falar na Princesinha Sofia ou Nella, a princesa corajosa? E a nova versão de She-Ha? Saia da SUA caixinha e entre no mundo delas, assim vão se abrir para entrar no seu! Aos poucos vá introduzindo os elementos do jogo em questão, sem deixar de perceber as temáticas que atraiam as pequenas.

2. Use sistemas simples e nada de advogar

Esqueça a dureza das regras. Opte por sistemas mais simplificados, mesmo que não sejam ideias ou tenham muitos furos. É importante que consigam acompanhar as regras. Nada de rigidez. O que é muito diferente de não usar regras. Seja flexível. Crianças costumam se assustar com excesso de regras e limitações. O mais legal de mestrar e jogar com crianças é exatamente o explorar do potencial criativo. Não pode a imaginação da menina por causa de uma regra a não ser que seja extremamente necessário ou as chances de tornar a experiência frustrante é altíssima.

Ser flexível não significa poder tudo! Apenas não sejam malas! Abram possibilidades!

Vou dar um exemplo: numa das vezes que mestrei, a Manu, de 7 anos, queria jogar com uma “pequenina”, pois, na verdade verdadeira, achou o nome bonitinho. O sistema era Kids & Dragons e “pequenino” nada mais é que uma versão para halfling. Pois bem, a Manu entendeu que era uma fadinha e voava baixo. O que eu fiz? DEIXEI, ORAS! Era isso ou iria cortar o barato e talvez ela nem jogasse! DANE-SE! Depois, expliquei pra ela e pra outra jogadora o que na verdade era uma pequenina o que leva a…

D&D - Kids & Dragons - Edição Heróica-1

Kids & Dragons foi o sistema que utilizei com as pequenas

3. Mostre referências compatíveis

Já dei alguns exemplos no tópico 1. Trace relações, imagens, sessões de filmes, indique desenhos animados. LIVROS!!! O que é o RPG sem sem livros? Como experiência tive um ótimo retorno usando o clássico de J.R.R. Tolkien, O Hobbit em quadrinhos, assim como, bem recentemente, participei do financiamento coletivo de Princesa Guerreira Flecha Certa, de José Geraldo Freire Coêlho e Cássio Costa, livrinho lindo e muito bacana que deixou as pequenas Alice (4 anos) e Maria Antônia (5 anos) doidinhas pelos mundos de fantasia! Deixe a menina confortável com a ambientação. Mostre a relevância e força do papel feminino nas histórias. Aos poucos os elementos vão se construindo no imaginário das pequenas jogadoras.

4. Não é hora pra vergonha

Pule, cante, se atire ao chão, agite espadas imaginárias, lance raios invisíveis pelas mãos, suba nas cadeiras, interprete! Brinque! Crianças estão acostumadas com o faz de conta, aproveite isso. Sinceramente, jogando com crianças faço palhaçadas que morreria de vergonha em mesas com adultos… e elas amam!

Lembram da Manu? Ela não queria jogar de forma alguma no início. Achou a ideia chata e preferia brincar de desfile de moda. Foi exatamente por eu libertar da rigidez, usar as referências dela, interpretar e coisas desse tipo que amou o RPG. Os pais dela e da irmã, Yasmin (8 anos), me deixaram tomando conta delas e da minha filha Alice (3 anos – idades na época). Obviamente, a tia aqui resolveu ensiná-las a jogar RPG. Haviam me pedido para 20h30 mandá-las para cama. No horário combinado parei o jogo e sugeri continuarmos no dia seguinte. No mesmo momento, Manu pula da sua cadeira, coloca uma mão na cintura e balança o dedinho indicador da outra pra mim: “Tia Mônica, eu só vou dormir depois que essa aranha morrer com minha adaga cravada no meio do olho dela!”.

Jogo_meninas

Pequena recordação da experiência – eu (sem explicações) e da esquerda pra direita Manu, Alice e Yasmin

ficha_Alice

Ficha da minha filha, Alice, de 3 anos na época, tá combada, dá pra perceber

Acho que dei meu recado.

No dia seguinte contaram pros pais toda história que jogaram e quiseram mais. Até a Alice, que foi “café com leite” fez ficha, rolou dados e prestou atenção na história, pois também falou sobre no dia seguinte.

Entender pra quem estamos contando as histórias é fundamental, se querem trazer as pequenas para o nosso mundo, estejam sensíveis a compreender e acessar o mundo delas também. Boas aventuras e bons jogos!