Olá! Depois de passar algum tempo escrevendo aventuras em PDF, retorno com as postagens normais. Eu amo jogos de RPG, tanto os antigos quanto os novos, e devo dizer que dentre os jogos mais recentes gostei demais da edição de 20 anos de Tormenta. Muito mesmo. Estou mestrando uma campanha nele e jogando outra, do meu filho.

Confesso que não acompanhei os eventos na Guilda do Macaco na época, mas quando ouvi o Guilherme Dei Svaldi falar no podcast da Dragão Brasil que havia um tipo de “nazista de Arton” como antagonistas para os personagens dos jogadores encherem de porrada (o que, convenhamos, toda pessoa sensata deveria fazer) me apressei para criar a versão dos campos de concentração da Supremacia Purista. Não sei se existe alguma versão oficial desses lugares, mas estou disponibilizando como são na minha campanha.

Esses locais não são meras prisões para os não humanos. São piores, muito piores. Ali estão presentes todo o horror e degradação impostos pelo lado mais sombrio que a humanidade tem para oferecer. Isso, na minha modesta opinião, torna os puristas os monstros mais vis do capítulo de ameaças do jogo. Esse tipo de ameaça deve ser combatido a todo custo. E é exatamente isso o que os grupos de jogadores devem fazer aqui. Mas antes, um lembrete:

O material a seguir foi inspirado em alguns dos piores momentos da humanidade. A realidade é muito pior que o jogo.

Agora vamos ao que interessa: bater em purista!

Como meus jogadores devem ler esse texto, tentei deixar um tanto genérico, então outros mestres não terão problemas para utilizar em suas mesas, mesmo que seus jogadores também leiam.

Os Centros de Expurgo puristas são construções militares desenvolvidas por ordem do General Supremo Hermann Von Krauser durante a Guerra Artoniana para segregar os não humanos do restante da população. Os supremacistas aproveitam-se do trabalho dos prisioneiros e os colocam em situações severas e rigorosas, muitas vezes ultrapassando os limites da crueldade, sendo mal alimentados, vítimas de maus-tratos e todo tipo de abuso.

Os não humanos são obrigados a trabalhar por períodos longos, chegando a 15 horas por dia em minas e fazendas, e dormem em instalações de péssima condição. Estão sujeitos ao humor dos guardas, sendo espancados por motivos fúteis e sumariamente executados quando cometem um delito.

Frequentemente os puristas organizam execuções em massa para “expurgar Arton dos não humanos”, utilizando magias poderosas para assassinar o maior número possível de prisioneiros de uma vez. Os horrores cometidos pelos puristas são notórios, mas especula-se (com razão) que o que se sabe é apenas a ponta do iceberg.

Estrutura dos centros

Existem vários Centros de Expurgo espalhados pelo território da Supremacia Purista. Eles variam muito em capacidade, os maiores chegam a deter milhares de prisioneiros.

Os prisioneiros são mantidos em condições precárias

Os centros são instalados em áreas de terreno livre e permanentemente vigiados. São protegidos por muros, alarmes e cercas mágicos. Mais de um prisioneiro encontrou seu fim ao tocar uma cerca arcana.

Recrutas e soldados fazem rondas periódicas e executam sumariamente qualquer fugitivo que encontrem. Eles ficam alojados numa pequena aldeia no interior do centro, igualmente protegida e controlada normalmente por um sargento-mor.

Há pavilhões onde os prisioneiros são trancados quando não estão trabalhando. Homens, mulheres e crianças são tratados sem distinção. Ali eles são alimentados uma vez ao dia com um caldo ralo. Os puristas também mantém alojamentos subterrâneos para os prisioneiros que trabalham nas minas. Nessas circunstâncias a maioria deles morre em poucos meses.

Os maus tratos e a alimentação deficitária enfraquecem os prisioneiros, impondo algumas condições. Siga as regras de Fome e Sede do livro básico, mas apenas até a terceira falha. O pouco de comida que os prisioneiros recebem serve apenas para mantê-los vivos.

As Leis dos Centros de Expurgo Puristas

Há regras que os prisioneiros são obrigados a decorar e seguir no momento em que entram em um dos Centros de Expurgo. Por vezes seus captores as ignoram, aplicando a punição que bem entenderem no momento para qualquer desvio de conduta que encontrarem (ou inventarem), para que sirvam de exemplo e, assim, desestimulem outros “delitos”. Os puristas consideram a execução pública – e o medo por ela gerado – um momento muito instrutivo para os prisioneiros.

As regras podem variar um pouco de um centro para outro, mas existem algumas que são comuns a todos:

1. Não tente fugir. Qualquer prisioneiro pego fugindo será executado imediatamente.

2. É proibida a reunião de mais de dois prisioneiros. Qualquer pessoa que deixe de obter permissão de um guarda para uma reunião de mais de dois prisioneiros será executada imediatamente. Com exceção do trabalho, nenhum grupo de prisioneiros pode reunir-se sem permissão.

3. Não furte. Qualquer pessoa encontrada furtando ou de posse de armas será executada imediatamente. Qualquer pessoa que furte ou esconda qualquer alimento será executada imediatamente.

4. Os guardas devem ser obedecidos de maneira incondicional. Qualquer pessoa que hostilize ou agrida um guarda será executada imediatamente. Qualquer pessoa que deixe de demonstrar total submissão às instruções de um guarda será executada imediatamente. Não deve haver nenhuma resposta insolente ou queixa para um guarda. Ao encontrar um guarda, deve-se abaixar a cabeça em sinal de respeito.

5. É proibido o acesso à aldeia dos guardas. Prisioneiros que invadirem a aldeia dos guardas ou danificarem a propriedade pública intencionalmente serão executados imediatamente.

Ideias para usar os Centros de Expurgo na sua campanha

1D6 objetivos para aventuras em Centros de Expurgo:

  1. Resgatar prisioneiros.
  2. Recuperar um item da posse de um oficial purista.
  3. Impedir o assassinato de um NPC detido no Centro de Expurgo.
  4. Escapar de um Centro de Expurgo.
  5. Frustrar planos de extermínio.
  6. Eliminar um oficial purista.

1D12 ideias para eventos em Centros de Expurgo:

  1. Os aventureiros testemunham um prisioneiro sendo espancado por furtar comida. Ele morrerá, a menos que façam alguma coisa.
  2. Surgem boatos sobre um delator entre os prisioneiros após execução pública. Quem será o traidor?
  3. Gritos de dor vindo das minas ecoam durante a madrugada.
  4. Prisioneiro morre em armadilha mágica na cerca durante tentativa de fuga.
  5. Prisioneiro moribundo pede para que os aventureiros protejam seu filho.
  6. Durante a madrugada, os aventureiros vêem um grupo de prisioneiros se esgueirando para um local ermo no Centro de Expurgo e enterrando alguma coisa.
  7. A aldeia dos guardas foi invadida! O sargento-mor suspendeu a comida e ordenou sessões de tortura até que os responsáveis apareçam.
  8. Um grupo de guardas se diverte importunando uma criança.
  9. Um NPC aliado dos aventureiros é injustamente acusado de algum delito e arrastado pelos guardas para ser executado.
  10. Guardas obrigam prisioneiros a lutar até a morte.
  11. Prisioneiro cai no chão na frente dos aventureiros e morre por desnutrição e excesso de trabalho.
  12. Prisioneiros são arregimentados e levado para um galpão. Pouco depois, arcanistas da Supremacia Purista são vistos no local. Nenhum dos prisioneiros é visto novamente.