Old Dragon moderno, no Brasil de 2018 cheio de inimigos nazistas e seus portais místicos

ZauBeR é um RPG de fantasia urbana criado por Marcelo Paschoalin, trazido à luz por meio de um financiamento coletivo no Catarse, que terminou em maio (Já é o sexto projeto do autor que é financiado no Catarse) . É definido pelo autor como “um Old Dragon moderno, no Brasil de 2018, derrotando nazistas que abriram portais místicos proibidos”. Ele usa as regras da licença aberta do Old Dragon, da editora Redbox, e suas influências vão de Hellblazer, Sandman e Preacher a Arquivos-X, Buffy e Supernatural, entre outras coisas legais.

O livro

O livro tem o tamanho A5, seguindo o modelo do Old Dragon. Capa mole, miolo preto e branco, com diagramação que facilita a leitura. O texto é fluido e muito bem escrito. A arte de Jussara Nunes é boa e captura a atmosfera do jogo.

Sistema

O jogo traz as quatro classes do Old Dragon, cada uma relacionada a um dos quatro elementos. Temos então os Caminhos do Fogo, da Água, do Ar e da Terra. Mas os personagens só recebem o primeiro nível após o Despertar, momento em que uma pessoa é tocada por forças superiores (recebendo o primeiro nível de classe e passando a trilhar um dos quatro caminhos elementais). O jogo assume que todos os personagens iniciantes já são despertos, com acesso aos poderes de classe ainda que inexperientes, mas há uma regra opcional para criar personagens mundanos (nível zero) e jogar todo o processo de Despertar.

Além disso, tem um sistema de antecedentes que incorpora a formação acadêmica e a carreira escolhida pelo personagem, e leva à regra que mais me chamou a atenção: perícias. Não sou fã de perícias no Old Dragon e confesso que torci o nariz pra isso num primeiro momento, mas no contexto do jogo elas se fazem necessárias e funcionam muito bem. No fim das contas, tive que dar o braço a torcer. Marcelo fez uma escolha acertada em trazer perícias para o zauBeR.

Cenário

ZauBeR começa com o final da Segunda Guerra Mundial. Derrotados, os nazistas fugiram para a América do Sul e trouxeram rituais e artefatos mágicos consigo. Através desses rituais, eles abriram portais para outros planos. Destaque para a nova ideologia nazi após contato com a magia, que passa a defender a supremacia de linhagens mágicas.

Há uma cota (bem grande) de conspiração. O livro traz seis grupos no melhor estilo Illuminati, alguns deles sobrenaturais, e tabelas para a criação de novos grupos para povoar a sua cidade.

Falando em tabelas, há uma sequência delas para gerar itens mágicos. Não, aqui você não vai encontrar apenas itens mágicos genéricos, como uma espada mágica +1. Todos os itens mágicos encontrados no zauBeR têm história, propósito, problemas, etc. E sim, há armas de fogo mágicas!

Por fim, há um bestiário. Muitos antagonistas do livro vieram de outros mundos ou descendem desses invasores. O cardápio de oponentes disponíveis no livro é bem variado, indo de zumbis a “Manifestação de Deidade Caída”, passando por magos nazistas e cientistas loucos. Você também vai encontrar versões de criaturas mais clássicas, como lobisomens e vampiros.

Conclusão

Eu parto do princípio que qualquer coisa que envolva “Old Dragon” e “chutar bundas nazistas” na mesma frase só poderia ser muito boa. Quando tive o pdf e, posteriormente, o livro em mãos pude comprovar essa teoria. Além disso, já faz muito tempo que eu ambiento meus jogos no Brasil e ter um RPG nacional tratando desses temas foi uma grata surpresa. Se você gosta de jogos de fantasia moderna, old school e/ou horror, zauBeR é um prato cheio!

Se você não participou do financiamento e quer ter um zauBeR pra chamar de seu, segunda-feira, dia 30 de julho, entra no ar no Dungeonist e DriveTruRPG (para PDFs).

Você também pode encontrar o livro impresso no site do autor http://letraimpressa.com.br.