Nossa primeira resenha de Board Games tinha que ser Mitológica né!?

Bem vindo nobres viajantes, eu sou Malaki o bruxo, herdeiro dos reis feiticeiros Sartarians, acólito e servo de Xzagoth, e aqui, na guilda dos mestres te darei uma explanação sobre o jogo de tabuleiro e RPG Mythic Battles: Pantheon (MBP).

O essência do jogo

MBP é um jogo de tabuleiro baseado na mitologia grega, que saiu via Kickstarter, tratando-se de um jogo de guerra em pequena escala (skirmish), usando miniaturas na escala 32 milímetros, mãos de cartas, dados de 6 faces, para 2 à 4 jogadores. As partidas podem ser jogadas em cenários de escaramuça (desde 1×1, 2×2, ou todo mundo contra todo mundo), missões temáticas, e objetivos cooperativos, utilizando um mapa com zonas e terrenos pré-definidos como campo de batalha.

Core e todas as expansões

Financiamento

Junto ao financiamento, no pledge máximo (God pledge), recebi um livro de artes, compêndio de missões e o RPG. O jogo foi desenvolvido pelas empresas francesas Mythic Games (Time of Legends : Joan of Arc e Solomon Kane ) e Monolith (Conan board game e Batman board game), este já teve outro Kickstarter atualizando regras e adicionando uma nova unidade, a divindade Dionysus. O jogo possui 20 Expansões, todas trazendo novos cenários, miniaturas, campanhas e tabuleiros variados (desde mares, montanhas e campos abertos), como o campo de batalha de Thermopylae.

Impossível falar de MBP e não pensar no clássico da tela quente Fúrias de Titãs (1981), outrossim, este foi o clima que permeou a campanha do financiamento, com vários pedidos da presença do Kraken, monstro da mitologia escandinava, erroneamente adaptada a lenda de Perseu e a princesa Adromeda. Mas no fim recebemos o próprio Perseu, Athenas e Ketus, no formato deste magnifico Octopus.

Aqui temos espartanos gritando “isso é Esparta”.

Lore e influências

Mas resumindo a ambientação do board game, Hera, a esposa rancorosa de Zeus, cansou de suas infidelidades e liberou os Titãs a muito aprisionados no Tártaro começando uma segunda Titanomaquia. Fruto desta guerra, o Olimpo foi destruído, muitos deuses caíram na presença dos Titãs Chronos, Tifon, Gaia, Atlas e Enceladus, espalhando seus poderes em forma dos onfalos.

Hades, o irmão rejeitado de Zeus, saiu em auxílio de seus familiares, deixando os portões do submundo aberto e permitindo a fuga de inúmeros monstros mortos durante o período heroico. Mas nem tudo esta perdido, em perseguição a esses monstros os falecidos heróis também escaparam do reino de Hades para defender os mortais, aqui temos uma estaca zero nas lendas, onde todos os heróis e monstros derrotados podem se enfrentar novamente sem o problema de afetar a cronologia das lendas.

Apollo – deus exclusivo da Campanha do Kickstarter

No jogo você comanda uma das divindades ou titãs, comandando tropas, monstros e heróis uns contra os outros, com objetivos específicos ou de pegar o máximo de onfalos espalhados pelo tabuleiro, quem pegar mais ganha.

 

Resumo das Regras

“Cartas são ações” e cada jogador assume um exército pré-definido no cenário, ou por meio de pontuações distribuídas pelo número de jogadores monta o seu. Este precisa ser liderado por uma divindade (amarela) ou titã (azul), que vai definir a quantidade de cartas “arts of war na mão. Por exemplo: Hades é um ótimo guerreiro no combate, mas não tem adicional de nenhum das cartas citadas, Athenas sendo bem mais fraca no combate concede quatro cartas adicionais de “art of war”, representando sua capacidade de estratégia em campo.

Personagens e suas respectivas cores.

Os demais integrantes do seu Exército podem ser montados livremente, se dividindo em três grupos: heróis (cinza), monstros (verde), tropas (marrom). Detalhe que cada tipo tem suas características, os heróis costumam ter habilidades incríveis, os monstros são fortes e resistentes, e as tropas mesmo que fracas podem ser ressuscitadas pelas divindades, logo, faz parte do sucesso no campo de batalha escolher bem suas unidades. Cada unidade possui uma quantidade de cartas, e seu exército é formado pela soma de todas essas, juntando as cartas de “art of war” da sua divindade mais cinco, chegando ao seu baralho.

A cada começo de rodada o jogador compra cinco cartas ou soma à sua mão mais cinco, por meio do dispêndio dessas cartas ele pode executar uma ação. Assim que acionar uma unidade e não descartar art of war para acionar uma segunda, o seu round acaba. Ao lado do seu baralho vai se formando um cemitério de cartas, onde ao chegar ao final do baralho principal se embaralha tudo novamente para um novo baralho. Logo, o jogador precisa controlar quantas cartas ainda tem em mãos de uma unidade e o quando precisa para completar uma ação.

Cartas de ações

O jogo se divide em rodadas, em cada rodada todos os jogadores tem sua vez, e em casa vez ele tem as seguintes possibilidades de ações:

  • Ativar uma unidade;
  • Mover (andar ou correr);
  • Atacar. (O ataque pode ser a distância ou corpo a corpo dependendo da unidade)
  • Usar (poderes , talentos, reivindicar ou absorver onfalos)
  • Usar as cartas “Art of War” (ativar uma segunda unidade, ressuscitar/invocar uma unidade, refazer a mão de cartas. Como resposta a ação de um jogador, na vez dele, podemos:
  • Retaliar (se for atacados no corpo a corpo e possuir cartas na mão);
  • Usar poderes (se este for de reação e possuir cartas de “Art of War”;
  • Evadir (se possuir a habilidade e sofrer um ataque a distância pode evadir se possuir cartas na mão).

Observa-se que não se pode atacar e mover, nada de ataque de oportunidade aqui.

 

As dezenas de unidades do jogo possuem habilidades variadas, tentando representar os heróis e monstros da mitologia, essas habilidades vão desde bloquear um ataque feito a outra unidade (block), como baixar a defesa de uma unidade devido ao horror que causa (Torment), a evasão já citada (evade), e etc. Cada unidade possui uma ficha com um contador de vida (clipe), a vida chegando a zero a unidade morreu (Se for a divindade normalmente o jogo acaba), destarte, a unidades de tropa tem o numero de vidas igual a quantidade de tropa, então para cada vida perdida uma miniatura sai do tabuleiro).

Parte da Expansão da deusa Hera

As ações envolvendo dados, normalmente ataques, consiste em rolar quantidade de dados igual ao seu número em ataque, e no resultado tentar superar a resistência do alvo, para cada sucesso um ponto de vida é retirado do atacado. O dado de seis lados tem as seguintes marcações: branco, uma espada, duas espadas, três espadas, quatro espadas, e espada com relâmpagos (eu chamo de explosão). Cada espada sendo um sucesso e a explosão a possibilidade de rolar mais um dado. Cada dado de sucesso descartado você pode aumentar um sucesso em outro dado, podendo (devendo) realizar novas explosões, isso porque você encontrará unidade com mais de 5 pontos em defesa, para isso, cada dado com a explosão somará mais cinco com a nova rolagem.

“A Monolity tem se firmado no mercado dos jogos de tabuleiro pela qualidade”

 

Componentes

Infelizmente o tal clipe contador de vida não prende direito a ficha, gerando um sério problema na hora de realizar a contagem, porém, a empresa se comprometeu a mandar uma peça que concertaria o tal erro. A arte e design do jogo são lindos, tudo muito intuitivo e com pouco texto nas peças, os livros de regras missões são bem detalhados e apresenta a opção de regras simples para iniciantes e mais complexas para jogadores mais experientes.

Que Caronte leve os clipes do submundo pelo rio Styx

Quanto à arte, deixo meu especial elogio para a capacidade de reinventar figuras tão batidas e conhecidas. A expansão de Poseidon como paradigma nos apresenta uma estética que se refere mais aos contos de H.P. Lovecraft em vez daquele padrão de fundo do mar definido nas ideias de Atlântida de Aquaman/Namor e cia.

O senhor dos mares depois do rolé com o Cthulhu.

As miniaturas são um show à parte, muitas da criação de YANNICK HENNEBO, que trabalhou em Conan, Hate e Blood Rage. Temos guerreiros, heróis e monstros, entidades divinas e titãs, pacotes de terrenos e obstáculos. Acho incrível a capacidade de proporção criada no jogo. O plástico das miniaturas é de ótima qualidade, bem resistente e ideal para receber pinturas, porém, devido a quantidade de lanças nas peças, alguma podem ficar torta devido ao mau armazenamento. Falando em armazenamento, foi disponibilizado uma storage box para cartas, tokens e fichas, onde cabe todo material da caixa principal e expansões.

RPG

“Um novo começo para Grécia Mítica”

O Rpg é ambientado após a guerra do board game, os deuses estão enfraquecidos e mortos, a Grécia mítica esta em ruína, todos os monstros e heróis de antigamente voltaram a viver e você, o jogador, pode ser a reencarnação de Aquiles ou ate mesmo um Heracles buscando sua antiga força, ainda assim, um herói completamente novo.

Eu considero acertada esta premissa, tendo em vista que afasta o tão fadado peso de rpg ambientados em universos famosos com estórias engessadas: Adianta ser um corajoso navegador no universo de stormblast se sei que Elric irá condenar a todos? Adianta eu ser um simples cavaleiro de Rohan se sei que o importante é a jornada do anel? E por ai vai.

Não temos classes aqui, cada herói escolhe um Patrono Divino e uma hostilidade Divina. Por exemplo, Seiya escolhe Athena como Patrona, será Poseidon sua hostilidade , influenciando principalmente o seu desempenho nas habilidades e relacionamentos regidos pelo deus dos mares. É definido também Glória e Infâmia, sendo a Glória seu grande objetivo e infâmia o destino sombrio que espera por você no final. Por exemplo: Leônidas se tornará rei, derrotará um exército dez vezes maior que o seu, mas morrerá salvando seu reino.

Os atributos principais (traits) são divididos em Fortitude, Dexterity, Wisdom, Judgment e Presence, além disso, cada herói começa com 3 pontos para distribuir entre 3 atributos heroicos que você seleciona entre epítetos homéricos (Homeric epithets-HE), objetos lendários (Legendary objects – LO), e magia (Magic – M).

No jogo podemos descartar dados para conseguir somas, como no board game, o HE adiciona +3 aos dados descartados ao invés de +1. Na linha interpretativa, podemos ver como sendo os feitos incríveis dos personagens como Heracles ou Odisseu, algo inerente a essas pessoas. Quanto aos LO adicionam dois dados as rolagens ou +2 as dificuldades contra você. Em linhas interpretativas, são objetos místicos presenteados pelos deuses a mortais, como a lira de Orfeu ou a espada de Perseu. Sem dificuldades, a Magia é a capacidade de invocar encantos, estes se dividindo em magias de naturais, medicina, maldições ou adivinhação. (Falar dos atributos comum)

O personagem possui Pontos de Excelência que podem gastar para obter sucessos automáticos, algo muito semelhante aos pontos de força em Star Wars Saga RPG, porém, estes não regeneram naturalmente e devem ser comprados usando os pontos de experiência. Além desses pontos, o jogador pode receber graças divinas pelo bom cumprimento de um serviço ao patrono. O jogo possui um mecanismo de dados do jogo de tabuleiro, usando um pool de d6 (que não são os mesmos do board game).

Conclusão

Como prós considero a quantidade de recursos e formas de se jogar o mesmo board game, assim, acaba valendo a pena o alto investimento em um jogo que possa ser reutilizado. Ao meu ver a principal desvantagem é o preço, somando quase 1.500 pratas com o total dos itens, e o armazenamento, já que vai precisar de um bom espaço para estocar tudo. Por fim, para quem perdeu a campanha fica a boa notícia de que o jogo receberá uma nova versão ambientada no mundo nórdico para o ano que vem, Mythic Battles Ragnarok, já tendo recebido uma miniatura de viking como brinde.

Ymir o gigante de gelo

Mythic Battles Ragnarok