Um bate papo sobre o papel das divindades nos jogos de fantasia medieval.


Existe uma ideia muito comum em mesas de RPG de que o papel dos deuses se limita meramente a conceder magias divinas, como se não fossem algo pertencente ao jogo como um elemento muito importante. Em D&D, desde seu princípio, existem elementos religiosos de diversas mitologias, inclusive a cristã com seus anjos e demônios, possuindo uma cosmogonia própria com seus deuses, servos, artefatos e seus cenários possuíam elementos característicos relativos a presença ou não destes deuses.

Hoje quer falar sobre algumas formas de utilizar Deuses em suas aventuras

sem torná-los apenas numa fonte de magia para clérigos.

Conflito cósmico

Primeiramente tem de se pensar que em um jogo de pilhar masmorras, sobreviver e acumular tesouros qual seria a real necessidade de Deuses? Bem, quando seu personagem possui um alinhamento, magias como Proteção contra o caos deixam implícito uma ordem ou caos que coordenam a realidade deste mundo. Demônios são figuras presentes em diversas mitologias tido como antagonistas da vontade dos deuses ou aqueles no qual alimentam-se ou saciam-se dos desejos dos mortais. Mortos Vivos são uma afronta a vida, a criação ou a lei natural. Enquanto Clérigos Ordeiros irão agir contra tudo aquilo que for antinatural, clérigos caóticos vão agir contra essas normas tidas como naturais em detrimento do desejo de seus Deuses, que por muito se confunde aos seus.

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Divindades e conflitos cósmicos sempre impactam o mundo mortal

 

Moral e Ética

Os alinhamentos determinam em qual lado no conflito cósmico seu personagem está, ou se ele está sendo um neutro que visa o equilíbrio das forças. Fazendo uma diferenciação entre ética e moral, nos jogos mais tradicionais de fantasia medieval.

Temos na questão Ética (Ordem x Caos) um ordenamento geral que se sobrepõe aos desejos e na questão moral (Bem x Mal) o costume e o comportamento. O primeiro possui características muito claras e é acessível a todos jogadores, enquanto o segundo é variável. É possível um reino Ordeiro escravizar seus inimigos e se julgar benigno, assim como uma tribo bárbara canibal que liberta e aceita membros que saem vitoriosos em combate ritualísticos. Em ambos exemplos há uma tradição a ser seguida, um costume, mas a origem destas faz com que se defina a naturalidade da situação em um jogo de rpg.

Costumes em ação

Os jogadores podem usar esses costumes ao seu favor, se um jogador desafia o líder goblin, os outros goblins irão aceitar o desafio em combate singular, pois o deus goblin não tolera líderes fracos, ainda mais para alimento…As possibilidades são enormes para muitas situações. O mestre pode conceder bônus e/ou penalidades para jogadores que agirem de acordo com suas convicções, honra ou virtude.

O mestre pode criar uma série de tabus sociais no qual os jogadores estarão sujeitos tal como o código de cavalaria:

  1.  Acreditar nos ensinamentos da Igreja e observar todas as direções que a Igreja mostrar;
  2.  Defender a Igreja;
  3.  Respeitar e defender todos os indefesos.
  4.  Amar o seu país.
  5.  Não recuar diante de um inimigo: Um covarde, apenas, poderia desencorajar um exército inteiro.
  6.  Mesmo se os cavaleiros soubesse que a morte estava próxima, deveriam morrer lutando do que demonstrar fraqueza.
  7.  Não mostrar misericórdia para com os infiéis, e não hesitar em participar dos conflitos contra eles.
  8.  Desempenhar todas as tarefas acordo com as leis de Deus.
  9.  Nunca mentir ou desdizer uma só palavra. Sinceridade e honra foram duas das características mais importantes de cavaleiros de cavalaria.
  10.  Demonstrar generosidade com todos.
  11.  Sempre, e qualquer lugar, ser certo e bondoso

Tendo este código como base imagine que ao menos 1 deste itens seja obrigatório os personagens seguirem e devotos como clérigos ou paladinos deveriam ter 3 ou mais, em troca seriam reconhecidos como pessoas honradas, honestas recebendo abrigo, sendo convocadas como testemunhas idôneas ou santas.

Este é um dos possíveis exemplos de como uma conduta moral, ética em jogo pode ser muito bem utilizada e ter elementos narrativos e mecânicos que possam levar a uma diversão e imersão maior.

É isso ai…. o que me diz?

Comenta ai e fala como você usa os Deuses nas suas aventuras.