Rum, beer, quests and mead
These are the things that a pirate needs
Raise the flag and let’s set sail
Under the sign of the Storm of Ale

Salve, salve cães sarnentos!

Devo dizer que a água do meu jarro ficou salgada ao ler este livro.

Idos de 2012.

O sol brilhava forte sobre o convés quando a embarcação Redbox realizou o concurso para eleição de um cenário para o Old Dragon.
E é sobre o fruto dessa empreitada de que trata-se este artigo.

Em Thordezilhas, os aventureiros são homens e mulheres que cheiram a sal, sobrevivem os temores que habitam os mares, usam pólvora e feitiçaria para lutar por seus ideias e para acima de tudo, conquistar OURO.

Com rum e carinho, tudo é mais gostoso

Precisamos acima de tudo, ressaltar a beleza com o qual o projeto Thordezilhas foi tratado. Desde a diagramação, revisão e ilustrações, é possível ver o compromisso da editora de produzir um trabalho que se destaca pela elegância atrelada a simplicidade.
Cada imagem atiça na mente do leitor uma possibilidade para cena retratada e os sons/aromas da situação, é incrível, sério.

Imagem disponibilizada no site da Editora Redbox

No que concernem as regras, temos adaptações das raças tradicionais para o cenário, além de novas raças: Ébanos, Pucks e Sereianos. Onde as peculiaridades de cada uma dessas raças, ajuda a compor as cores da ambientação.

Novas especializações e regras são descritas para tratar dos conceitos apresentados nos capítulos iniciais do livreto. Veja bem, o jogo é sobre intrepidez e astúcia! Não tome como um simples jogo de piratas. Generalizar Thordezilhas dessa forma seria tolice!
O gênero capa e espada é sobre homens e mulheres dispostos a lidar com situações de maneiras improváveis, enquanto bebem uma caneca de rum e chutam a cara dos inimigos.

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Imagem retirada do livro Thordezilhas, Sabres e Caravelas

O uso de pólvora, traz uma nova gama de armamentos e possibilidades (já que canhões são a diversão de todas as batalhas marítimas que você irá viver), salientando que as regras sobre combate naval foram escritas de forma simples. De forma alguma o jogo fará você circular pelo livro em busca da informação que precisa, está tudo ali, de forma direta.

As cores da pirataria

Como trata do extraordinário e da fantasia, a composição do cenário traz elementos próprios e brinca com localidades que arrematam nossa imaginação para o mundo real, o que ajuda a enxergar as características que o autor (Luiz Claudio Gonçalves, não é seu aniversário, mas tu tá de parabéns) deixa implícitas no texto.

O cenário é divertido, mas se prender a ele seria imoral. As brechas para exploração estão ali em cada pedacinho da leitura. Explorar ilhas que não estão no mapa, derrubar reinos e reinventar a geografia são a tarefa que todo mestre enxerga logo de cara ao terminar o capítulo “Das aventuras em terra firme”.

Seguindo a proposta do OD, o livro é uma caixa de ferramentas para o narrador que busca trazer novas possibilidades à sua mesa.

Vejam, não se trata de um genérico de Piratas do Caribe. Os conceitos fundamentais são os mesmos é claro, mas Thordezilhas brinca com o leitor de uma forma a criar pontes do fantástico para o mundo real sem se ater ao formato “nada se cria, tudo se copia”.

Por fim, as inspirações e referências são singelas, sendo minha favorita a banda Alestorm (vide citação inicial). Acrescentaria a excelente série Black Sails, que em suas cinco temporadas trouxe fãs a loucura com piratas e meretrizes dando trabalho aos reis dos mares europeus, bem como o anime One Piece que apesar das excentricidades, retrata bem o papel da pirataria no gênero cinematográfico.

Um livro que você quer ter na prateleira

Da mesma forma que o Senhores da Guerra, Thordezilhas coloca na mesa conceitos já estabelecidos em outros jogos, contudo a simplicidade e elegância do Old Dragon amplia os horizontes a serem navegados quando se trata de fantasia. Portanto, mesmo se você não está interessado em içar velas e participar de jornadas mordazes, temperadas a tempestades marinhas enquanto o capitão grita em seu ouvido; você precisa ter essa beleza em sua prateleira.
Não vejo a hora de ter em mãos a versão impressa.
Mais um livro must have (compra certa) da Redbox.

Que o Kraken não tenha piedade em vos arrastar para o fundo do mar.