Um papo sobre mitos de criação para o seu cenário de RPG

Acho que todo mestre, em algum momento da sua vida de RPG, já pensou ou criou um cenário de campanha caseiro. Confesso que é uma jornada árdua e com retorno bem pequeno, mas é o tipo de coisa que fazemos por e para nós mesmos. Eu já fiz muitos e confesso que antigamente tinha paciência para escrever pencas e mais pencas de cadernos, com mapas e ilustrações e no final nunca se quer joguei no cenário, ou os jogadores não leram nenhuma linha da parada.

Hoje eu não crio mais cenários fechados e super bem bolados, mas apenas vou jogando aventuras episódicas e deixando a vida me levar. Em outro post eu falei sobre um método que uso muito para criar cenários colaborativamente e tem sido bem legal, pois todo o grupo constrói o cenário junto (Leia aqui). Porém, hoje quero falar aos colegas que estão criando seus cenários de forma tradicional.

Mais do que dicas eu queria fazer uns questionamentos sobre a origem do universo para aqueles que pretendem escrever cenários de fantasia.

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Será que os antigos estavam certos!?

Vamos revelar o mistério de cara?

Acho que uma tendência ao se criar cenários de campanha é iniciar pela origem do mundo ou universo. Como até a bíblia começa pelo genesis, muitos iniciam seu cenário com alguma coisa semelhante a “no inicio havia o caos” …. mas será que isso é mesmo necessário?

Veja bem, se até hoje nós não sabemos  COM CERTEZA ABSOLUTA a origem da vida, planetas e se há algum sentido ou vontade superior por trás de tudo, seria sensato que no seu mundo houvesse tal certeza? Se você pensar bem, visões conflitantes sobre a origem do universo do cenário podem gerar bem mais intrigas, mistérios e guerras  do que apenas a revelação nua e crua da verdade.

Eu sei que no mundo real não temos deuses ativos e magias como no RPG, mas acho que poderíamos jogar anos de campanhas sem nunca precisar tocar na questão do genesis.

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Seu mundo pode ser plano e seus jogadores ainda nem sabem!

Precisamos de uma verdade universal?

Pensando bem, mesmo que você não revele a origem do universo aos jogadores, será que precisamos que exista uma origem de fato? Durante anos eu li Conan, Elrick de Melniboné e outras literaturas de fantasia e não me peguei buscando a origem do universo. Em Elric me bateram duvidas sobre a cosmologia e as hierarquias das entidades, mas sendo sincero, acho que quanto menos eu entendia mais intrigante o cenário ficava.

Pense que existem vários credos, vários panteões e várias teorias para a existência. Qual estaria certa? Existe alguma errada? Além de guerras religiosas, isso pode gerar conflitos filosóficos e dar origem a civilizações diferentes? Eu acho que sim e acho que isso é bom, pois abre precedente para hipóteses infinitas, além de permitir ao mestre simplesmente bagunçar tudo com mudanças na ordem do cosmos e surgimento de elementos ate então desconhecidos.

Acho legal quando as hierarquias divinas são cruzadas, enviesadas, não lineares e mutantes. Você nunca sabe quem é que manda ou como se dá a ordem universal.



Quando revelar a verdade?

Caso você diga sim para as minhas duas perguntas anteriores, chegamos ao ponto onde deveríamos refletir sobre como e quando revelar a verdade, pois eu sei que você bolou uma origem para o universo bem maneira e quer muito compartilhar isso com os jogadores

Talvez você apenas entregue ao grupo um pdf com seu mundo e lá tenha tudo mastigado, mas lembro a sensação irada que tive quando descobri mistérios do passado jogando Phantasy Star 4. Nossa! Eu me senti um arqueólogo cientista desvendando o universo.

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Esse momento foi icônico para mim!

Creio que tudo que se descubra dentro de jogo cause mais impacto no jogo do que apenas sendo revelado aos jogadores. Afinal eles teriam informações privilegiadas, domínio de mistérios e verdades que poderiam inclusive lhes conceder vantagens dentro do jogo.

As vezes o segredo para virar um deus está em descobrir a origem do universo!

Se temos um Genesis, temos um Apocalipse?

Uma coisa que adoro em mitologias é o elemento apocalíptico. Seja o ragnarok ou a batalha de Megido, ou a compressão do universo ao momento zero, eu adoro esse climão de fim dos tempos explosivo!

Uma coisa a se pensar é que tudo que teve inicio pode ou deve ter um fim. Reflita sobre como as religiões enxergam o fim do mundo, qual a percepção das entidades e como a existência lida com seu próprio fim. Isso pode gerar muitas aventuras e culminar em um fim de campanha épico e memorável!

 

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Os cavaleiros do “corram para as colinas”!!!!

Para terminar deixo outras questões sobre isso:

Se existe uma verdade universal sobre a criação, existe sobre a destruição (Alfa e ômega) ?

Se foi revelado o inicio, foi também o fim?

Existe possibilidade de se impedir, ou parece que tudo coopera para este final trágico?

Existe uma chance de sobreviver a este evento cataclísmico?

Seriam os Deuses aqueles que sobreviveram ao ultimo apocalipse?

 



Cenários como produtos de mercado

Apesar do que muitos pensam, seu cenário caseiro pode virar um produto de mercado. Thordezilhas é um lindo cenário de pirataria, capa e espada que surgiu em um concurso realizado pela Red Box. A Retro Punk está tocando um concurso para cenários de Savage Worlds e o próprio cenário oficial de Old Dragon veio das mesas de seus idealizadores. Não podemos esquecer de Tormenta que já sobrevive a décadas e em breve teremos uma nova edição.

Bom, meu ponto aqui é: Capriche e mande ver, pois quem sabe o seu cenário não ganha o mundo!